O médico e suas valises

E aí, galera! Tudo bem?

O papo de hoje vai ser sobre as aplicações práticas dos conceitos expostos no artigo "Um ensaio sobre o médico e suas valises tecnológicas", escrito por Emerson Elias Merhy.

Merhy é professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Seu trabalho em pesquisa é focado na micropolítica do trabalho e no cuidado em saúde.

No trabalho analisado nesta postagem, o pesquisador criou uma metáfora para explicar melhor sobre as habilidades que um profissional da saúde precisa ter. Segundo ele, essas habilidades são divididas em três principais grupos de acordo com a sua natureza e cada grupo é carregado pelo médico em valises diferentes na hora de exercer a sua profissão.

Você deve estar se perguntando o que deve ser uma valise, não é mesmo? "Valise" nada mais é do que um jeito mais chique de se referir a uma mala de mão que carrega poucos pertences. Talvez seja uma referência às tradicionais maletas que os médicos já costumam levar consigo ao realizar consultas.



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Exemplo de uma maleta de médico.


Essas valises podem ser divididas pelas tecnologias que contêm, sendo carregadas em diferentes locais. São elas: a valise da mão, com seus saberes técnicos e físicos, como o estetoscópio, contém as chamadas “tecnologias duras”; a valise da cabeça, caracterizada por informações, como dados epidemiológicos, contém “tecnologias leves-duras”; e uma última maleta, que só existe no espaço da relação médico-paciente, contendo “tecnologia leves”, que envolvem habilidades relacionadas à construção dessa relação e só tomam forma a partir do momento de criação da relação entre os dois indivíduos. 

As valises e a importância dada a cada uma por um indivíduo irão caracterizar o modo como esse indivíduo atua profissionalmente. Por exemplo, uma priorização da valise de tecnologias duras caracterizaria uma medicina mais técnica, mais focada em exames e menos na relação médico-paciente. Enquanto isso, a priorização da valise leve teria como prioridade essa mesma relação.

No contexto da saúde pública brasileira, as valises são ferramentas essenciais para o funcionamento de qualquer unidade de saúde, seja uma Unidade Básica de Saúde ou um Posto de Saúde da Família. Cada paciente atendido exige uma combinação única dos conhecimentos presentes em cada valise. Priorizar o uso de uma em detrimento da outra pode afetar o funcionamento da unidade em questão, prejudicando o atendimento à população. Um equilíbrio entre as três valises, permitindo a aplicação de cada uma onde é mais adequada, sem esquecer da validade e importância das outras, acaba sendo de suma importância.

Gostou do assunto e quer aprender mais sobre as valises tecnológicas do médico? Você pode acessar o trabalho usado como base para esta postagem clicando bem aqui.


Obrigada e até a próxima!

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